sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Esforço para ser sincero

Se me perguntam quem sou, digo meu nome e indico meu endereço. Se me perguntam o que faço, digo que como muito, me masturbo, trabalho, leio, aprendo, julgo.
Há um critério que tenho adotado em minhas orações, que é, antes de tudo, pedir a Deus que me ajude a ser sincero no que peço, a ser verdadeiro, concreto no que desejo de bom para os outros, ter um desejo real, conquistado no coração, cultivado no íntimo, de pedir a Deus coisas boas para os outros, já que desejos maus não pedem licença e, com frequência, os deixo entrar, ou invadir minhas intenções.
Quantas vezes, já ao me levantar pela manhã, assalta-me a memória de um momento ruim, vivido com alguém no passado, e a partir dessa memória cultivo um pequeno julgamento ruim de tal ou qual pessoa, e só percebo mais tarde que essa lembrança devia servir-me para cultivar perdão em relação ao que já se passou e não ao contrário.
Acho minha esposa bonita e muitos também a acham, mas, que razão tenho de sentir inveja ao ver um colega meu, ou até um desconhecido junto de uma companheira bonita?
Hoje, ao subir no ônibus, junto de meu amigo, quase não prestei atenção ao que ele me contava, pois fiquei atônito ao ver um rapaz gordo (mais gordo do que eu), feio, de expressão alegre, até tola, cabelos negros repartidos ao meio, vestido de modo discreto, desajeitado no andar e que deu-me a impressão de ser um sujeito muito imaturo, com uma namoradinha muito bonita. Por que existe dentro de mim uma reação instintiva de indignação ao ver essa cena? Por que julgo em segredo, bem lá no meu íntimo, que ele não a mereçe? Por que essa maldade tão gratuita em mim?
Não sou digno de me intitular cristão! Sou só um estúpido pecador aprendendo a ser cristão!
Não posso usar a palavra "cristão" de modo indevido.
Possuo o título formal Católico Apostólico Romano. Possuo o Sacramento Batismal. A Primeira Comunhão. A Crisma. Mas não aprendi a parar de julgar, não aprendi a parar de desejar coisas ruins para os outros, não aprendi a deixar de ter inveja, e ficar satisfeito com a adversidade do próximo.
Temos um tribunal inquisitorial dentro de nós, que se instala de modo perigoso, pois, no momento mesmo em que fazemos exame de consciência e reconhecemos nossos pecados( e o que podemos perceber de pecados) já essa inquisição íntima tenta nos esmagar e nos puxar para o mal novamente, da maneira mais sutil. Já vi muitas pessoas orgulhosas de terem muitos pecados a confessar, de ostentarem falsa modéstia ao explicitar seus erros publicamente de um modo que parecia dizer: Vocês estão vendo como sou humilde? como reconheço que sou pecador sem medo? Como estou sendo superior com essa atitude?
Devo reconhecer que faço coisas boas também, que sou capaz de entender, mesmo que só um pouquinho, dos planos de Deus e realizar o que posso disso, assim, fico sabendo qual meu devido lugar, sem falsa modéstia. Não há mal que possa ultrapassar a misericórdia de Jesus Cristo. Ele entende tudo.