domingo, 20 de novembro de 2011

Criminosos e assassinos são vítimas da sociedade? Que merda é essa?

Você assiste TV e pode receber todos os dias notícias de denúncias de corrupção no governo, desvio de verbas e de dinheiro público, e as consequências disso tudo. Quem leva a pior é o povo. É fácil para todos atacarmos "moralmente" políticos, pois estes nos devem satisfações. Por que não atacamos moralmente bandidos? criminosos? estupradores? assassinos com a mesma frequência e intensidade com que fazemos em relação a políticos? Estatística da ONU registra que o Brasil é recordista de homicídios anuais. Por que se matam tantas pessoas aqui no Brasil? Esse problema é devido a quantidade imensa de armas ilegais? Não, Bené Barbosa, presidente do Movimento Viva Brasil e especialista em Segurança Pública já provou que não. Um revolver calibre .380 Auto ou .380 ACP (Automatic Colt Pistol) não faz absolutamente nada se for deixado encostado num canto. Revolver não é personalidade, não tem psique, não toma decisões. Se eu matar alguém, é porque decidi fazer isso, e o revolver, a pistola, carabina, faca, pau, só foram meios dos quais tomei posse para tal finalidade.
Em todos os canais de TV aberta, no Brasil, esses repórteres de merda, essa gente estúpida que precisa garantir o IBOPE da emissora onde trabalha e, por conseguinte, seu próprio emprego, só fazem obscurecer o entendimento das coisas. Ao entrevistar um assassino perguntam: Por que você matou fulano? Isso é pergunta que se faça? Normalmente as situações são bem claras pelas imagens que nos chegam: ladrões algemados, traficantes, estupradores, delinquentes, ou pessoas como eu e você, pois também possuímos muitas chances de cometer erros graves e trágicos em nossas vidas. Meu cunhado matou o homem bêbado que atropelou e matou sua esposa. Esse sujeito estava embriagado já pela manhã, em janeiro de 2008, quando avançou com seu Corcel a calçada e acertou a mulher de meu cunhado no portão desua casa. Ela ficou esmagada embaixo do motor, enquanto esse filho da puta tentava dar marcha ré, para escapar. Dois meses depois ele estava bebendo num bar, como se nada houvesse ocorrido em sua vida e na vida que tirou. Meu cunhdo foi até lá, ao bar onde o assassino bebia, e o matou com três tiros. Nenhum ser humano tem o direito de tirar a vida de outro ser humano, porém, nesse caso, como você reagiria? Eu não sei, realmente, como eu reagiria. Meu cunhado teve uma boa razão para matar um homem, embora ele nunca tenha esse direito.
Bom... se uma pessoa mata outra é por que, no mínimo, essa pessoa decidiu fazer isso. Uma pessoa pode ter muitos motivos para matar outra pessoa, desde a legítima defesa, quando, por exemplo, meu avô matou dois homens que entraram armados em sua casa, sem sua permissão e dispostos a matar nossa família para roubar. Até uma mulher que decide abortar seu filho por uma justificativa qualquer está decidindo matar. Aliás, aborto é a palavra errada, é FETICÍDIO, uma palavra bem desconhecida e que se atrela a homicídio.
A diferença entre meu cunhado e um traficante é bem evidente, meu cunhado matou uma vez, para vingar a morte estúpida de sua espôsa, e um traficante pode matar sempre por seus próprios interesses, muitas vezes pelas coisas mais banais, Tal como fez Fernandinho Beira-Mar, como um carrasco nazista, um agente soviético ou um comunista da Coluna Prestes, ou seja, existem muitas pessoas para as quais as outras são moscas.
Não matar não é apenas um mandamento, não é proibição moral, normativa, é reconhecimento de um direito inviolável de todo homem. Só Deus dá vida e só Deus a tira. Quem tira, sem saber se deve ou não fazer isso, terá de se explicar depois. Agora: quem, algum dia, na história da humanidade, que matou outra pessoa, sabia realmente se estava fazendo o certo?
Um pai que defende sua família, dentro de casa, matando um assaltante, está bem próximo de saber o que faz, pois ele pode não ter escolha, num momento de puro desespero quando um vagabundo qualquer, muitas vezes movido por um vício incontido em drogas pesadas, ataca sua família de maneira truculenta, sem respeitar absolutamente nada, sem que sua mulher ou seus filhos possam defender-se. Porém, numa outra situação ele pode conversar com o assaltante, pode apenas ameaçá-lo, pois ele, como pai de família, como homem correto, não "DECIDIU" ganhar seu pão pelo crime, nem tirar o que é dos outros para satisfazer-se. Entretanto, uma pessoa que entra sem permissão na casa de outra, para pegar para si o que não é dela, e está disposta até a matar quem estiver em seu caminho para isso, esse tipo de gente sabe muito bem o que faz, e como faz. Um homem honesto pode vencer um inimigo de várias maneiras e tentar poupar-lhe a vida, mas um assaltante, um criminoso armado não está muito disposto a negociar.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Esforço para ser sincero

Se me perguntam quem sou, digo meu nome e indico meu endereço. Se me perguntam o que faço, digo que como muito, me masturbo, trabalho, leio, aprendo, julgo.
Há um critério que tenho adotado em minhas orações, que é, antes de tudo, pedir a Deus que me ajude a ser sincero no que peço, a ser verdadeiro, concreto no que desejo de bom para os outros, ter um desejo real, conquistado no coração, cultivado no íntimo, de pedir a Deus coisas boas para os outros, já que desejos maus não pedem licença e, com frequência, os deixo entrar, ou invadir minhas intenções.
Quantas vezes, já ao me levantar pela manhã, assalta-me a memória de um momento ruim, vivido com alguém no passado, e a partir dessa memória cultivo um pequeno julgamento ruim de tal ou qual pessoa, e só percebo mais tarde que essa lembrança devia servir-me para cultivar perdão em relação ao que já se passou e não ao contrário.
Acho minha esposa bonita e muitos também a acham, mas, que razão tenho de sentir inveja ao ver um colega meu, ou até um desconhecido junto de uma companheira bonita?
Hoje, ao subir no ônibus, junto de meu amigo, quase não prestei atenção ao que ele me contava, pois fiquei atônito ao ver um rapaz gordo (mais gordo do que eu), feio, de expressão alegre, até tola, cabelos negros repartidos ao meio, vestido de modo discreto, desajeitado no andar e que deu-me a impressão de ser um sujeito muito imaturo, com uma namoradinha muito bonita. Por que existe dentro de mim uma reação instintiva de indignação ao ver essa cena? Por que julgo em segredo, bem lá no meu íntimo, que ele não a mereçe? Por que essa maldade tão gratuita em mim?
Não sou digno de me intitular cristão! Sou só um estúpido pecador aprendendo a ser cristão!
Não posso usar a palavra "cristão" de modo indevido.
Possuo o título formal Católico Apostólico Romano. Possuo o Sacramento Batismal. A Primeira Comunhão. A Crisma. Mas não aprendi a parar de julgar, não aprendi a parar de desejar coisas ruins para os outros, não aprendi a deixar de ter inveja, e ficar satisfeito com a adversidade do próximo.
Temos um tribunal inquisitorial dentro de nós, que se instala de modo perigoso, pois, no momento mesmo em que fazemos exame de consciência e reconhecemos nossos pecados( e o que podemos perceber de pecados) já essa inquisição íntima tenta nos esmagar e nos puxar para o mal novamente, da maneira mais sutil. Já vi muitas pessoas orgulhosas de terem muitos pecados a confessar, de ostentarem falsa modéstia ao explicitar seus erros publicamente de um modo que parecia dizer: Vocês estão vendo como sou humilde? como reconheço que sou pecador sem medo? Como estou sendo superior com essa atitude?
Devo reconhecer que faço coisas boas também, que sou capaz de entender, mesmo que só um pouquinho, dos planos de Deus e realizar o que posso disso, assim, fico sabendo qual meu devido lugar, sem falsa modéstia. Não há mal que possa ultrapassar a misericórdia de Jesus Cristo. Ele entende tudo.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Fetishtron

Já disse o grande Olavo de Carvalho que, quanto mais me conheço, mais percebo que sou igual a todo mundo.
Sou pervertido, um sujeito que masturba-se quase todo dia, e possui um roll de fantasias tolas com mulheres.
Há tempos enveredei pela sacanagem e estraguei minha união sexual legítima com minha mulher. Busquei o ilícito prazer próprio sexual, e onde isso me levou? Ao fracasso com as mulheres, principalmente a minha.
Estive conversando com uma garota sobre fantasias sexuais, e compartilhamos de muitas fantasias. Ela é submissa e está sempre entregando-se a um dominador. Isso me excita, pois gosto de dominar a mulher. Porém, diante da chance de realizar minhas fantasias com algumas garotas, qual foi minha atitude? Parei a meio caminho, deixando minha companheira frustrada, pois, eu estava traindo minha esposa.
Estava literalmente num caminho bifurcado: Prosseguir na satisfação de meu apetite sexual intenso, usando aquela garota para minha finalidade, e depois pensar em me arrepender,ou, parar aonde estava e tentar recomeçar a fazer o que é certo. Decidi interromper imediatamente e assumir todo esse erro.
Minha mulher sentiu muito quando confessei a ela, mas, verdade é verdade, como disse o mesmo Olavo de Carvalho: "a verdade tem um direito em si".
Não há diferença entre mim e os fetishistas senão em grau: o que muitos fetishistas sexuais fazem com prazer, junto de suas companheiras, eu acabo vivendo em imaginação, tentando, a cada dia, masturbar-me menos, em consideração à minha esposa, e, quem sabe, humanizar novamente minha sexualidade para ela, um dia.

Eu tento melhorar todos os dias, mas caio com frequência, entretanto, por mais que eu erre e busque o maldito prazer sexual próprio e egoísta, por mais que me falte capacidade de amadurecer mais e mais minha sexualidade, ainda assim, quando cometo um erro, esse erro foi uma decisão tomada por mim, com premeditação, com influência de meus desejos, enfim... eu decidi fazer o que fiz, não tem escapatória para justificar, nem moral estúpida para amenizar... devo assumir a responsabilidade pelo meu ato e aceitar suas consequências.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Reflexão diabólica

É fácil falar de nós mesmos enquanto estamos vivendo e descrevendo apenas nossa superfície. Não posso, porém, deixar de notar que, por mais cristão e humilde que eu acredite ser, há um orgulho e um sentimento de superioridade extremamente enraizados em minha alma, escondidos de tal modo que, muito antes de eu tomar conhecimento de campanhas pró cotas e outros benefícios exclusivos para negros, me deixavam convicto e seguro, bem lá no extremo e obscuro fundo de mim que, por mais que compreendesse o valor sagrado da vida duma pessoa negra, com seus talentos e habilidades, eu sempre seria superior, por ser branco, por ter cabelos macios e claros, por parecer, enfim, mais gente. Podes me chamar de monstro, mas é assim que acabo me sentindo, sem querer, como dizia São Paulo em Romanos 7,19: " não faço todo bem que eu quero, porém, todo mal que não desejo", mas, essa convicção, que também me faz sentir superior e orgulhoso, um orgulho mudo e invisível até quase a mim mesmo, será essa convicção sutil um desejo? uma insegurança? uma maldade? Duma coisa agora sei: sou um homem muito ordinário e, confesso, estou tentando ser sincero até o cerne de minha alma nesse momento. Não serão campanhas, movimentos ideológicos ou pró qualquer coisa, que vão salvar minha alma, meu espírito. Somente eu o posso fazer, pelo meu livre arbítrio e responsabilidade. O que devo fazer? Por enquanto, ser sincero. Movimentos sociais só cuidam de interesses estranhos, alheios ao individual e sagrado. Movimentos sociais só mexem com aparências, só carpem e podam a superfície, enfeitam com laços e símbolos, e ensejam solucionar a insolúvel e complicada natureza humana. Quantas pessoas tratei mal, sem perceber, quantas pessoas fingi estimar, mas, no fundo, sentindo-me superior ou em melhores condições, quantas vezes dei bons conselhos a pessoas que passavam adversidades, sem ter idéia do que sofriam, e, bem no fundo, dizendo a mim mesmo: "Que bom que não estou nessa situação", quantas vezes afetei aparência de bom e de justo, de maduro, convicto de estar sabendo o que estava fazendo ao lidar com problemas dos outros, e, no fim, só o fazia por mim mesmo, para me sentir superior aos outros. É fácil viver de superfícies, difícil é o trabalho do coveiro, tendo que cavar fundo e mexer em todos os ossos e podridão.  Peço forças a Deus, A Jesus e a Maria.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

A grande técnica

Em seu importante romance, de título 1984, George Orwell descreve, entre outras técnicas de controle sobre as pessoas, uma espécie de estudo das expressões faciais, a partir do qual seria possível descobrir todo tipo de sentimentos e intenções por trás de movimentos musculares da face, e, por conseguinte, perseguir os inimigos do Grande Irmão e do Partido. Dostoievski, pelo contrário, muitas vezes colocava seus personagens num diálogo no qual, quando um falava sobre sua própria desgraça e adversidade, seu interlocutor, muito levemente, muito discretamente, inconscientemente, esboçava um quase imperceptível sorriso de satisfação.

Isso está em todo ser humano. Outro dia, um grande amigo meu, muito cristão, muito correto, muito próspero, me contava sobre a gravidez de sua esposa. Já tenho uma filha de criação há dez anos, decidi não ter mais filhos com minha esposa por motivos bem particulares e razoáveis, porém, sempre senti uma pequena pontinha de inveja quando sabia que meus colegas geravam filhos. Esse sentimento de inveja, bem tênue, dentro de mim, sempre causou certa agitação nas minhas entranhas, porque atinge diretamente meus princípios e a verdade das coisas que me são conhecidas. Esse grande amigo alguns dias depois de me haver comunicado, com grande entusiasmo, a gravidez de sua esposa, me traz uma informação razoavelmente preocupante, a de que sua ela havia sangrado um pouco, e, embora fosse diagnosticado como algo mais ou menos normal em toda gravidez, a preocupação e o medo permaneceram nele e em mim, mas eu sei, que muito levemente, um leve sorriso ficou patente em meu rosto. Terrível. Esse pequeno mal oculto parece mais terrível que um grande mal explícito. Por que razão fiquei assim? Ora, eu levo uma vida bem digna com minha esposa e minha enteada. Não tenho motivos para invejar ninguém. Porém, parece sempre haver um demônio infinitesimal circulando dentro de mim, quase invisível, quase insignificante. Esse demônio possui uma habilidade e rapidez tão efetivos que se interfere nos melhores momentos de minha vida e, como uma espécie de vírus, tenta envenenar minha comunhão com o bem, com as boas notícias que chegam até mim. Ele atrapalha minha visão das coisas boas como um enxame de gafanhotos atrapalha a visão de uma paisagem, parecendo sujar essa paisagem, ou se misturar a ela.
Preciso admitir: esse pequeníssimo demônio faz parte de mim, e não consigo exorcizá-lo totalmente, pois ele é a minha maldade. Por isso Cristo disse em Mateus 26-41: "Vigiai e Orai, para não cairdes em tentação."

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Moderna pedra sacrifical

BRUXARIA EMBUTIDA EM PALAVRAS

A humanização deve acontecer na linguagem.
Este escrito se refere exclusivamente à palavra abortar no seu sentido, em sua acepção, de interrupção criminosa ou natural do desenvolvimento do ser humano no útero.

É muito fácil hoje justificar a prática do aborto, já que até em dicionários o vemos conceituado e qualificado como o que está na 6° edição, revisada e atualizada, 2004, do dicionário da língua portuguesa, Aurélio.
Ali, na página 83, vê-se o seguinte:

Abortar

1) Eliminar prematuramente do útero produto da concepção;
2) Não se desenvolver;
3) Não ter êxito; malograr-se;
4) Fazer que não se leve a termo, ou impedir o bom êxito de; frustrar.

a) Eliminar prematuramente do útero produto da concepção?
Esse “produto” da concepção é o que? Ou vai tornar-se o que afinal de contas? Todo ser humano é produto de concepção que veio de um útero, logo, se somos produtos, podemos ser eliminados? Essa maneira de descrever a concepção do ser humano no útero da mulher é, de certa maneira, uma desumanização. Se o que está no útero é um produto e pode ser eliminado,
então, qualquer ser humano pode ser eliminado, porque todos somos produtos de concepção. É “aborto” e não “assassinato”, dizem alguns. É só um produto da concepção, ainda não é gente. Uma semente de melancia é um começo de melancia, uma melancia potencial, não é outra coisa.
Melancia é um fruto, mas pode tornar-se um produto comerciável por ser comestível. Podemos, então, tratar o fruto chamado melancia como um produto, e controlar sua fecundação, sua quantidade, mas podemos fazer isso com o ser humano? Ou com o produto da concepção do útero, como diz o verbete do Aurélio?

b) Não se desenvolver. Está coerente, seja aborto natural, seja feito pelas mãos de um homem, é não deixar se desenvolver.
c) Não ter êxito; malograr-se. Bom, isso deve ser bem evidente para quem pratica abortos. Provocar aborto de um ser humano no útero materno é, sem sombra de dúvida, não deixá-lo ter êxito, fazê-lo malograr-se.
d) Fazer que não se leve a termo, ou impedir o bom êxito de; frustrar. Não é possível que alguém, em sã consciência, possa acreditar que aborto humano não seja, também, o que está na definição acima, de abortar.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Muito além da verbalização

Vejo com muita freqüência, de algum tempo para cá, adesivos em pára-brisas de carros com a frase, em caixa alta e bem destacada: CONFIO EM JESUS! Ou coisa que o valha.



Uai! Mas por qual razão devo expressar isso?



Confio em minha esposa, em minha filha, em meus amigos porque sei que são pecadores como eu, são imprevisíveis como eu, repletos de, como dizia Whitman, coisas ordinárias e coisas finas, como eu, logo, também tenho motivos para desconfiar deles assim como tenho motivos para desconfiar de mim, mas confio porque os amo. Não tenho certeza da garantia, mas é por essa razão mesma que confio neles.



Só posso confiar em alguém, porque existe motivo para desconfiar desse alguém.



Jesus não pecou, não deu razões para desconfiança, logo, não tenho razões para confiar nele, nem desconfiar dele. Ele é evidente. Ele tem razões para desconfiar de mim, e mesmo assim me ama como ama a todos.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Vomitando o mal – exorcismo intelectual

Buscar a verdade também é buscar correção...

Corrigir meus erros de língua portuguesa também é busca pela verdade.



Arrependo-me de meus pecados, do mal que faço, apenas pelo medo da punição?

Bom, mas Deus perdoa até assassinos...

Perdoa criminosos de todos os tipos...

Perdoa as piores coisas que podemos fazer...



“Amai vossos inimigos... Porque o pai fez nascer o sol sobre os justos e os injustos...” Mateus Cap. V, vers. 44, 45.



Não desejo adotar uma vida de santo.

O que farei então com minha maldade?

Prestar muita atenção a ela pode ser um bom começo.

Não posso simplesmente fazer o bem a partir do momento em que compreendo o que o bem é?



Melhor dizendo... Fazer o que é certo não é estar em compromisso com a verdade? Ou próximo a ela?



Será que estou dedicando-me ao conhecimento, à minha família, aos exames de consciência diários, simplesmente por que minha religião, minha crença mo exige sob ameaça de danação eterna?

Fazer o bem para ir para o céu? Putz!



É melhor fazer o bem, mesmo que Deus decida mandar-me para o inferno.

Allah comanda! Disse Raskolnikov.



Não posso simplesmente ter desejo de fazer o bem, mesmo partindo-se da hipótese de que não haja nenhum Deus misericordioso?

Se não há vida após a morte, se não houver justiça ou juízo final, punição aos injustos e, sobretudo, punição para minha maldade, tudo isso são motivos suficientes para eu não fazer o bem?



A obra divina acontece sempre, sem interrupção, é uma corda que vibra perenemente em tensão e perfeição, e não posso interferir. Se Deus permitir que eu sofra, e estando eu já bem informado sobre as coisas certas, não poderei revoltar-me, por já sei que a vontade dele prevalece, uma corda também vibra em alta tensão dentro de mim perenemente, e que devo agir certo, seja na prosperidade, seja na adversidade.



Não pretendo, com todo esse falatório, pregar anarquia ou independência do homem sobre Deus ou Cristo.

Quero isolar o homem e testá-lo como o demônio testou Jesus.

Da capacidade de perceber o certo dentro de si, sem consultas aos livros sagrados, sem receber conselhos de ninguém, sem nenhuma colher de chá, proponho um encontro da experiência de cada homem com o testemunho da verdade nos Evangelhos.

Ou seja, o homem deve ler os evangelhos para confirmar o que já existe de bom dentro de si, antes de havê-los lido.



Quero pregar o exílio do homem de todos os bons princípios religiosos, culturais, morais, éticos. Quero deixá-lo nu de todas essas coisas e ver o que sobra.



Olavo de Carvalho chamou a atenção para a dimensão da consciência moral autônoma do homem.

Esse é o melhor teste para a capacidade do homem para a verdade, e para o bem.



Se estivermos sem mais nenhuma esperança na vida...

Se a frase: “bom, já estou ferrado mesmo...” martelar-nos a memória o tempo todo,

Se estivermos com forte impressão de estarmos iludidos, de nada existir além da morte, de não existir justiça nem punição, ao menos podemos ser fiéis à nossa capacidade para fazer o bem.



Se existe capacidade para o bem, então o bem existe, e ele tem um Autor originário.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Do abismo invisível para o abismo visceral

Procurando por minha alma imortal

A evidência me acompanha o tempo todo, nas coisas que testemunho, nas coisas que experimento, nas coisas que sinto na carne, e não me dou conta dela, ou não quero me dar conta.

Faço um exercício:

Quantas coisas boas eu foi capaz de desejar durante o dia de hoje?

Quantas coisas ruins desejei hoje?

O dia já está quase em seu fim, e não me dei conta da enxurrada de sentimentos, desejos e pensamentos que transitaram em mim.

Mas como eu posso saber distinguir entre o que é bom e o que é ruim?

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Devo consultar meus princípios...

Quais são eles?

O que eu fui capaz de estabelecer para mim mesmo como princípios e virtudes a serem cultivadas, para buscar ser alguém melhor?

Muitas coisas estabeleci, e muito poucas cumpri.

Sou mais ruim do que bom...

Esqueço quem sou, ou quem deveria ser, muitas vezes, numa só hora.

Se as pessoas que eu amo vivessem no meu íntimo, no cerne de minha alma, nas minhas entranhas, sofreriam a tirania de minhas desconfianças vãs. Seriam seres atormentados como num inferno visceral... digeridos pela minha mania de pensar demais.

Dostoievski tinha razão, pensar demais é um tipo de doença, que se transforma num torpor...

O que está no espírito afeta a carne.