terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Moderna pedra sacrifical

BRUXARIA EMBUTIDA EM PALAVRAS

A humanização deve acontecer na linguagem.
Este escrito se refere exclusivamente à palavra abortar no seu sentido, em sua acepção, de interrupção criminosa ou natural do desenvolvimento do ser humano no útero.

É muito fácil hoje justificar a prática do aborto, já que até em dicionários o vemos conceituado e qualificado como o que está na 6° edição, revisada e atualizada, 2004, do dicionário da língua portuguesa, Aurélio.
Ali, na página 83, vê-se o seguinte:

Abortar

1) Eliminar prematuramente do útero produto da concepção;
2) Não se desenvolver;
3) Não ter êxito; malograr-se;
4) Fazer que não se leve a termo, ou impedir o bom êxito de; frustrar.

a) Eliminar prematuramente do útero produto da concepção?
Esse “produto” da concepção é o que? Ou vai tornar-se o que afinal de contas? Todo ser humano é produto de concepção que veio de um útero, logo, se somos produtos, podemos ser eliminados? Essa maneira de descrever a concepção do ser humano no útero da mulher é, de certa maneira, uma desumanização. Se o que está no útero é um produto e pode ser eliminado,
então, qualquer ser humano pode ser eliminado, porque todos somos produtos de concepção. É “aborto” e não “assassinato”, dizem alguns. É só um produto da concepção, ainda não é gente. Uma semente de melancia é um começo de melancia, uma melancia potencial, não é outra coisa.
Melancia é um fruto, mas pode tornar-se um produto comerciável por ser comestível. Podemos, então, tratar o fruto chamado melancia como um produto, e controlar sua fecundação, sua quantidade, mas podemos fazer isso com o ser humano? Ou com o produto da concepção do útero, como diz o verbete do Aurélio?

b) Não se desenvolver. Está coerente, seja aborto natural, seja feito pelas mãos de um homem, é não deixar se desenvolver.
c) Não ter êxito; malograr-se. Bom, isso deve ser bem evidente para quem pratica abortos. Provocar aborto de um ser humano no útero materno é, sem sombra de dúvida, não deixá-lo ter êxito, fazê-lo malograr-se.
d) Fazer que não se leve a termo, ou impedir o bom êxito de; frustrar. Não é possível que alguém, em sã consciência, possa acreditar que aborto humano não seja, também, o que está na definição acima, de abortar.